
O mundo é retratado em televisores de 19 polegadas que nunca são desligados, enquanto a madrugada nos convida a decifrá-la... E são nas longas noites em que nada parece fazer sentido que eu me encontro...
Eu perco o sono choro



Simplesmente, eu te amo...
Como seria fácil olhar naqueles olhos e simplesmente dizer "eu te amo"... Como seria tranquilo acordar de manhã com o telefone tocando e ouvir uma voz ancunciando saudades. O amor tem horas é a mais dura das prisões. Já convivi com a morte, já visitei e acompanhei o processo de pessoas infermas, já rezei, chorei, brinquei, amei e odiei. Já cortei meus dedos e esfolei os joelhos, já toquei algum instrumento, já chorei, já sorri, jé escrevi cartas, já durmi cedo, já durmi tarde, já perdi noites de sono por estar doente, já corri em parques, já vomitei, já estive apertada para ir ao banheiro, já aluguei filmes sem ter dinheiro para pagar, já ganhei inumeros video-games, já joguei inumeros joguinhos, já briguei, já bati, já apanhei, já vi pessoas mortas e vivas, solitárias e atiradas, já disse palavrões, já fui inconveniente, já fui um máximo, já fui aplaudida e vaiada...
Mas amar, de verdade, algo real e concreto, isso nunca, e na realidade da vida, esse parece ser o único sentimento que me falta para ser, ou pelo menos me sentir, completa. Tudo em si é consequencia da vida e se amar também o é, porque eu não consigo viver esse sentimento com intensidade? Se todos conseguem, porque eu não consigo, poxa! A quem vá me dizer que eu sou sensível demais, que tenho que procurar um lado meu que desconheço, o lado "atirada"... A quem diga que assim sou perfeita e que tudo leva tempo, para alguns mais, para outros menos, mas tudo tudo leva. E por fim a quem não vá dizer nada porque desconhece o martírio que é amar. Um dia me disseram assim: "Maite, deixe-se amar, você é a responsável por sua solidão"... E eu me calei, dizer o que? Eu, só sei esperar...
Complemento...
Quando palavras nos faltam, os românticos apelam para as cartas, que ridiculas como elas só, se fazem presentes e anunciam, por antecipação, que alguem ama...

As páginas inacabadas...
São tantas... Quando olho para trás, percebo que foram tantas histórias começadas e nunca encerradas, simplesmente abandonadas, tristemente deixadas de lado como se não fossem importantes. E não, todas tiveram sua importância, todas foram historias rabiscadas nas páginas da minha vida, mas não tiveram um fim, muitas vezes porque eu não consegui lidar com elas, e por isso deixei-as de lado, e tentei me esquecer... Mais eu nunca esqueço, não me esqueço de quem já fez parte da história da minha vida, e nem que seja para eu dar um fim a todas elas, eu ei de retomá-las. A começar pelos garotos da minha vida, garotos esses que eu nunca sei lidar... Seria interessante se começasse escrevendo um fim para uma história longa e bela. Uma fábula que se escreveu sozinha, mas cujo fim parece ser dramático e incerto demais para algo que vem se desenhando de forma inocente de cativante. E que a esse fim some-se pelo menos mais três outros fins. Para que se amenize as longas horas perdidas em frente ao espelho escrevendo minha vida, que pede fins próximos para os assuntos mais pessoais de uma pessoa.
O amor, é claro...
SALGUEIRO CHORÃO
Salgueiro chorão com lágrimas escorendo
Por que você chora e fica gemendo?
Será por que ele te deixou um dia?
Será por que ficar aqui não mais podia?
Em seus galhos ele se balançavae ainda se espera a alegria daquele balançar lhe dará!
Em sua sombra abriga lhe encontrouimagina que seu sorriso jamais acabou!
Salgueiro chorão pare de chorar,a algo que poderá lhe consolar,A
cha que a morte para sempre separou?
Mas em seu coração PRA SEMPRE ficou!
E de repente tudo se perde, nada mais é real, e não conseguimos mais decifrar um olhar. O medo e a angústia se mostram pavorosos e você só quer dormir. Mas onde? Tudo se desfaz, e quase nunca se complementa. Se pelo menos pudéssemos sonhar... Quem sou? Um alguém acostumado a perder, porque nunca quis ganhar, ou pelo menos nunca fez por merecer a vitória... Como vejo o mundo? Muitas vezes pelos olhos deslumbrados e infantís de uma criança, que quer abraçar a tudo e a todos, sem saber que conspiram contra sua liberdade, contra sua inocência... O amor? Amar permeia minha vã existência e já não sei o que sou. Ora raiva, ora medo, ora angústia, ora alegria, ora depressão, as horas me completam e me afastam de mim mesmo. Amar é a incerteza de poder, a incerteza de ser... Vemos a vida com olhos de quem apenas sente e nunca consente, nunca se cala e nunca se vai...
"Meninas como nós nunca choram"...