terça-feira, 24 de junho de 2008

Inverno...

Falar besteiras, beber, abraçar pessoas, sorrir e depois rir dos problemas, persistir, se achar um máximo, se sentir revolucionária... Se eu morresse hoje, morreria feliz...

Sim, esse ainda é a Maite, mas uma Maite diferente, ainda depressiva tem horas, rancorosa, boba, metida a intelectual, sim sou ainda a mesma, mas agora descobri que me desvinculei de um amor, graças a outro, que é tão doentil quanto o primeiro, mas com um porém: ele é real. Nesse fim de semana lidei com duvidas, expus e impus sentimentos e sentidos, e nesse alvoroço de confusão, o clima resumiu minha noite e meus temperamentos como ninguem, ou nada, jamais o fez. No dia em que a introspecção me fez rude e triste me voltei a mim mesma, ele, o clima, esfriava, e tudo era solidão, frio e abandono. Mas quando a esperança irradiava de meu ser e tudo se mostrava azul, o tempo se abria, e vinculado a ele sorria. As depressões alcançaram 5 graus de temperatura, e as noites pareciam não ter fim, Roxette resumia em suas canções toda uma angustia existencial e Cazuza resumia todo um potencial e uma necessidade de "te ganhar ou perder sem engano" quase vital. E lidei comigo, com ele, com ele e com elas. E resgatei no fundo daqueles olhos penetrantes a minha mais incessante busca: a aceitação. Eu perdi esta batalha, não ganhei, mas quanto ao tempo, dele me desvinculei e agora faz frio, mas não aqui dentro. Este, eu sei, ainda será meu inverno pessoal mais rigoroso, e sei que vou sofrer, mas agora, pelo menos, é real. No frio que faz aqui dentro, algo irradia, e que isso transpareça em meu olhar, que por hora não se abate...

E lutará para que continue assim... Obrigado por me emprestar seus olhos...

sábado, 14 de junho de 2008

A ofuscante tela da vida...

À frente daquele monitor, eu só pensava em me
mostrar, falar de mim, dos meus sentimentos, medos e carências.
Mas como falar disso, e pra ele?
Não, eu apertei o xizinho e me calei.
Eu não sei falar de mim...

Fragmentos da vida...

Desconhecida: Poxa, um garota tão bonita chorando?
Eu: Ninguém é perfeito...

O sol...

Um raro momento de paz naquele ônibus.
Um silêncio ensurdecedor... E o sol... Adoro brincar de me esconder dele.
Proponho a brincadeira: "Tenta me iluminar, tenta!"
Ele aceita, eu sei que ele aceita, mas ele apela...
Poxa, 36° não é apelação?
Por entre as frestas das cortinas ele me persegue,
e quase sempre me acha... Ele é bom...

Cheiro de piscina no domingo de manhã...

Hoje o dia cheira a piscina no domingo de manhã...
E essa ocilação...
Ora bem, ora mal, é estranho como em minutos o mundo
pode desabar sobre mim e depois nos mesmos minutos tudo fica lindo e calmo,
cheirando a piscina no domingo de manhã...
E a tristeza em pensar que tudo realmente tem um começo, um meio e um fim...
Porque tais conceitos não nos são apresentados em nossa infância?
Poderia ter aproveitado mais se soubesse que um dia iria acabar.
Inocência, tudo acaba, mas eu ignorava isso...
Sim, já fui muitas vezes na piscina aos domingos de manhã; como já fui a missa...

Sobre a partida...

Esqueça, só consigo escrever sobre o que sinto...

Regressão...

Voltando da Faculdade, na quietude do carro em que nunca se fala nada,
nunca, eu pensei em talves pensar em quando não me lembrava que pensava...
Pensar em mim, e nos flashes da minha infância, mas não da minha
feliz e inocente infância, dele também, mas também da agressão, não física,
mas mental, de acontecimentos que me retratam,
e me tornam o que sou, da maneira como sou...

Complemento...
As pessoas morrem, o mundo se mata... ..
Espero mesmo que morrer não doa Cazuza, porque se doer,
mas do que já doeu, viver é mesmo uma injustiça...

Um poema:

Alma minha gentil, que te partiste - Luís de Camões

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Loucura significativa...
A gente ouve muito falar de pessoas loucas, que com a sua loucura enlouquecem o mundo a sua volta e plantam consigo revoluções... Derivados de tais loucuras estão: Ernesto Cheguevara, Cazuza, Mahatma Ghandi, Madre Tereza de Calcutá, Descartes, Luttero, Annie Frank, Martin Luterking, Nelson Mandela, Betinho, Jesus Cristo e tantos outros nomes... O que são eles senão loucos? Loucos por infringirem regras. Loucos por estarem a frente de seu tempo. Loucos por serem simplesmente quem são, fazerem simplesmenete o que acham ser o certo e ponto. Na loucura que é viver, louco mesmo parece ser quem simplesmente aceita os fatos da vida como estes simplesmente são. Vamos mandar a merda pessoal, agora! E plantar nossa revolução pessoal... Não precisa ser armada como propões Cheguevara, tampouco pessoal como propôs minha Annie, pode ser do nosso jeito. Cada um com o seu ideal, com a sua verdade. Mas lutem contra o sistema e seu conjunto de regras estupidas. Ser louco é significativo...

Loucura pessoal...

"Olhos envolto a névoas. Não, não, é a luz que ensiste em se apagar. Estrelas, quarto, solidão. Se fumasse faria isso fitando a lua e sua imensidão perfeita. Clara como o sol, mas pequenino, como só ele sabe ser."

Não existe uma explicação lógica de porque escrevi isso acima. Mas quer saber, gostei. Transcrevi bem os longos momentos em que olhos (aqueles olhos) insistiram em me perseguir, e na escuridão do quarto onde estava, encontrei refúgio apenas no vão da janela, unica e simplesmente porque era clara e me iluminava em partes... Era noite... Sim, ando meia louca, mas traço paralelos desta minha loucura com as loucuras que acima mencionei, porque se ela for mesmo significativa, como penso que é, viver valeu mesmo a pena.

Complemento...
Rita Lee é uma louquinha muito significativa... Pelo menos pra mim...

Rita Lee - Balada do louco

Dizem que sou louca
Por pensar assim
Se eu sou muito louca
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz Se eles são bonitos
Eu sou a Sharon Stone
Se eles são famosos
I'm a Rolling Stone
Mais louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu
Se eles têm três carros
Eu posso voar
Se eles rezam muito, eu sou santa
Eu já estou no céu
Mais louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus sou eu
Sim, sou muito louca
Não vou me curar
Já não sou a única
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz Eu sou feliz

domingo, 8 de junho de 2008

O bem e o mal...


Estranho pensar que o bem e o mal existem, e que a essa dualidade não se solicita um meio termo. Porque eu não posso estar entre o bem e o mal? Porque eu não posso estar isenta de tal classificação?E mais, quem define ao certo o que é bom e o que é mal? Os homens, é claro.
Não me venha com essa conversa fiada de que Deus rege os parâmetros, ele é carência afetiva, não existe como o vemos, e sendo assim qual o problema de negarmo-lo? Descartes já fazia jus a tal posição sendo considerado o pai da filosofia moderna. Talves eu não esteja assim tão errada como pensam. Ando me tornando meio que uma monstra na minha faculdade, pessoas se assustam quando começo a falar e debater assuntos antes intocados, como a vida por exemplo afirmando que ela está mais para uma desgraça/castigo do que necessariamente um dádiva que é como alguns a vêem. Fomos condenados a viver e a morrer, não existe beleza nisso, só tristeza, a felicidade é um privilégio de poucos, e mesmo assim é muito pequena frente à imersão desproporcional de um momento de tristeza e solidão. Quer um exemplo prático? Pense: qual o melhor momento da sua vida? Difícil achar um né? Agora que tal um pior momento? Eu não te conheço, mas garanto, é mais fácil achar um pior momento é mais marcante... Me vejo então diante deste questionamento: O que te aconteceu para você ficar assim, tão amarga perante a vida? Eis que respondo: Não interessa, isso ainda é assunto meu... E quanto ao bem e ao mal, se ninguém os rege apenas uma meia dúzia de ditos intelectuais, talves estejamos passando pela vida sem perceber o óbvio, que somos livres para pensar e agir conforme o que achamos ser o certo e que vá a merda quem se acha senhor da razão e que dita regrinhas estúpidas a serem seguidas por pessoas igualmente estúpidas... E voltemos a Descartes: "Penso, logo existo", se isso é tão certo e marcante, porque pessoas insistem em não pensar? Ou pior, pensar pelos outros e iguais aos outros? Se Deus existe, ele não nos deu esse tal de livre arbítrio, mas nos deu algo que por muitos é pouco usado, cérebro. Eu não me considero a dona da razão, nem boa nem mal, estou entre uma classificação que não me faz jus, e quanto ao resto, tenha, na medida do possível, uma feliz vida e morra consciente de que somos nada mais nada menos que tubos fabricadores de merda. É isso...

Complemento:
Apenas um simples poema... Sobre mim, este blog ainda é meu...

Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,

Minha alma não tem alma.
Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.

Não tenho ser nem lei.
Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.

Fernando Pessoa, 6-1-1923

segunda-feira, 2 de junho de 2008



"Sonho parece verdade
Quando a gente esquece de acordar
E o dia parece metade
Quando a gente acorda e esquece de levantar"