sábado, 14 de junho de 2008

A ofuscante tela da vida...

À frente daquele monitor, eu só pensava em me
mostrar, falar de mim, dos meus sentimentos, medos e carências.
Mas como falar disso, e pra ele?
Não, eu apertei o xizinho e me calei.
Eu não sei falar de mim...

Fragmentos da vida...

Desconhecida: Poxa, um garota tão bonita chorando?
Eu: Ninguém é perfeito...

O sol...

Um raro momento de paz naquele ônibus.
Um silêncio ensurdecedor... E o sol... Adoro brincar de me esconder dele.
Proponho a brincadeira: "Tenta me iluminar, tenta!"
Ele aceita, eu sei que ele aceita, mas ele apela...
Poxa, 36° não é apelação?
Por entre as frestas das cortinas ele me persegue,
e quase sempre me acha... Ele é bom...

Cheiro de piscina no domingo de manhã...

Hoje o dia cheira a piscina no domingo de manhã...
E essa ocilação...
Ora bem, ora mal, é estranho como em minutos o mundo
pode desabar sobre mim e depois nos mesmos minutos tudo fica lindo e calmo,
cheirando a piscina no domingo de manhã...
E a tristeza em pensar que tudo realmente tem um começo, um meio e um fim...
Porque tais conceitos não nos são apresentados em nossa infância?
Poderia ter aproveitado mais se soubesse que um dia iria acabar.
Inocência, tudo acaba, mas eu ignorava isso...
Sim, já fui muitas vezes na piscina aos domingos de manhã; como já fui a missa...

Sobre a partida...

Esqueça, só consigo escrever sobre o que sinto...

Regressão...

Voltando da Faculdade, na quietude do carro em que nunca se fala nada,
nunca, eu pensei em talves pensar em quando não me lembrava que pensava...
Pensar em mim, e nos flashes da minha infância, mas não da minha
feliz e inocente infância, dele também, mas também da agressão, não física,
mas mental, de acontecimentos que me retratam,
e me tornam o que sou, da maneira como sou...

Complemento...
As pessoas morrem, o mundo se mata... ..
Espero mesmo que morrer não doa Cazuza, porque se doer,
mas do que já doeu, viver é mesmo uma injustiça...

Um poema:

Alma minha gentil, que te partiste - Luís de Camões

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

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